segunda-feira, 7 de abril de 2014

Não sei "silêncio"

Não lamento o meu “demais”
O teu silêncio foi um vazio
Que coube quase qualquer coisa

Eu sei,
correr atrás faz bem mais o meu feitio
É que primeiro tenho que rimar comigo

Tanto fez, como tanto faz
Meu grito mudo arranhar teu tímpano
Eu sempre passo a limpo meus rascunhos

Vc talvez foi um pouco mais
Que o instrumento dessa lição atroz
Que eu aprendi para não esquecer
E vou provar, mas não pra vc ver
(Em algum lugar do passado, mas a gaveta me o cuspiu de volta - Karen Simões Corrêa)

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

No Silêncio

Hoje foi som e silêncio.
Nenhuma letra,
não queria palavra que cantasse seu nome.
Solidão de 7 horas no domingo.
pôr do sol de inverno, gelando tudo.
Hoje fui refém
A culpa é minha
E me calei
Fiz-te tutor do meu querer
E de mim um barco à deriva
E quanta bobagem cabe em se deixar.
O silêncio é o túmulo das ideias
É o fim da redenção
Fim da estrada
E no silêncio morre a vontade, o pedido, e a coragem.
Calar-se é mais que covardia.
É a maior das injustiças.
É a pior das crueldades.
E depois do fim?
O primeiro passo de uma nova história.
(Karen Simões Corrêa)

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Tudo você


E assim você me rouba um verso
Pelo beijo inesperado
Tua boca, entre meus cachos
Tocou meus lábios e um pouco mais.

De olhos fechados, demorei
E nem meu suspiro foi capaz
De ir tão fundo quanto, nem sei
Delicadeza e vontade
Saber-me acordada, querer-te mais.

Eu sei que foi sonho
Sei porque acordei,
E de tão sóbria duvidei,
e duvidei,
e duvidei

Mas meu corpo ainda lembra
E meu toque ainda sabe
Ainda temo e quando sinto
Não há mais eu, tudo você

(Karen Simões Corrêa)

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Essa é para 2010

De um tempo que me pareceu prematuro,
um fim errado?
de um lastro, rasgo, feio meio solto e sem porque
fiz poema, e música fora de tom,
dai veio a vida, e outra voz para cantar
e hoje a melodia solta embala outra história,
e nem prendeu memória, e nem perdeu ficar...

(Karen Simões Corrêa - Porque algumas respostas mesmo que evidentes, só fazem sentido no depois, e as vezes quando as perguntas já não nos importam)

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Enquanto ela atravessava a rua, e seguia para o outro lado sem olhar para trás eu me lembrava daquela frase que uma vez me disseram e definiu muita coisa pra mim: “Ela tem um olhar triste, acho que vc gosta disso.”. Nunca reparei que era isso que me fixava naquele olhar. De fato ela tem esse olhar triste mesmo.
Eu gostava dela, tinha um carinho grande embora o tempo fosse pouco, e a lida curta. Nunca fui mesmo de dar ao tempo a cadeira de juiz do meu querer. Quando eu quero é “mesmo” e não “tanto faz”. E a vida da gente tem mesmo esse trilho certinho? Nunca, e se tivesse descarrilava. Não vi o olhar naquela hora, mas me lembro bem. Mesmo que o que eu quisesse fixar em mim no fim fosse o sentir daquele último abraço. Inteiro, grave, demorado e quente. Como últimos abraços devem ser, mas sempre com um espaço pra saudade, pra se querer mais abraços e para querer mais histórias para contar.
Fato é que o que ficou depois daquele abraço, dessa memória da tristeza do olhar e da imagem dela atravessando a rua sem olhar pra trás foi essa vontade de mais histórias pra contar...
E eu sempre de caneta em punho.

(Texto de Karen Corrêa / Desenho de Carina Venturim)

domingo, 16 de setembro de 2012

Meu canto em blues

Carinho seu
Flor de laranjeira perdida num buquê de dor
Caminho meu
Destino que finda,
meus pés na areia
onde termina cada passo

E o mar começa, invade o que penso
Nem vãs promessas, que daqui nem comento

Só que sou
Me deixa querer-te daqui do meu canto
Nem inteiro estou
Ilusão que me basta nesse meu “por enquanto”

E o que da pra ser e ver
Lugar vão comum, é tentar esquecer

Cedo meu
E eu querendo fingir que quero tentar ganhar
Certo seu
O outro lado da rua, outra mão a te dar, e amar

Sai de mim e eu nem sei se é saudade
Tão meu, que aqui nem te cabe

Carinho seu
Flor de laranjeira perdida num buquê de dor
Que eu sinto
Que eu sinto com cada pedaço meu
E sei
Assim até parece maldade
Tão meu e fim, e aqui não te cabe
Não
(Karen Simões Corrêa)

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Sol Maior

Sol maior
Menor de mim
Erro que me corta
Gota que cai,
Tristeza que não sai
Não passa a porta
Que eu deixei aberta pra me trazer de volta
Que o que eu sou agora já não quero ser

Olha só meu bem
Que bagunça aqui e que tolice
Eu não entendo
Se eu fechar os olhos
E se eu te pedir
Fica pra me ouvir que eu tento
Eu sei que tento.

Faço música como
Quem pensa que sabe o que faz.
Canto como quem
Pretende responder a si
Mas paro, calo, deixo
E você me atravessa,
Quero tanto amar que roubo seu amar pra mim.

Olha só meu bem
Tanta loucura aqui
Eu não entendo
Se eu fechar os olhos
e se eu te pedir
Fica pra me sentir que eu tento
Inteiro e lento

Sei que agora ai
Não sou a te falar
Mas do meu lado aqui
Vejo seu olhar se abrir
Vejo esse mundo girar
Vejo o resto sumir
Vejo o que não é pra mim
Vejo e quero mesmo assim

Olha só meu bem
Tanto destempero meu e que burrice
Eu não me entendo
Se eu te olhar nos olhos
E ainda assim pedir
E insistir
Fica que tento.
Ah sim eu tento
(Karen Simões Corrêa)