sexta-feira, 20 de junho de 2014

Ela...

Ela me inspira
Enquanto rega o papel com mais lágrimas em versos
Ela me encanta
Enquanto põe mais um sorriso no mundo, só de pirraça
Ela me para
Enquanto pede meu espelho e eu conjugo os verbos dela.
Ela me move
Enquanto eu penso no que fazer só pra ser riso no dia dela
Ela tumulto
Eu tento paz
Ela perdida
Eu viro guia
Ela palheta
Eu aquarela
Ela destina
Eu paciência
Enquanto ela, eu viro espera, vigio o campo, e colho o que me cabe na estação.
Ela poema, eu leio e sonho.

Os astros e o destino.

Olho as estrelas
Leio o céu que me apetece
É mais fácil que encarar o pé no chão, a realidade tácita.
Perdão, minha lua na casa 12 me pede esses suspiros
“Olhar as estrelas é um constante admirar o passado”
É fato que as luzes que pousam agora nesse céu já não são.
Isso me fascina
As estrelas são tatuagem do céu.
E como alguém que se transforma para sorrir,
Faço assim do factual uma fantasia
E me dispo de imperativos
Hoje não.
Viro ator em própria vida,
E deixo o destino autor dessa história, tirar-me para dançar
Será que vai ser valsa?
(Karen Simões Corrêa)

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Cadeados

Um mundo chama do outro lado
Eu teimo mais um passo
Tento num bailado à valsa, driblar o caminho.
“quem sabe não dá, hein”...
Ao menos um pouco...
“Posso ficar aqui e cantar pra você?”
Quem sabe minha voz não chega até ela...
Quem sabe um sorriso com meu nome?
Uma série de nãos em neon marca o percurso
Minha especialidade os cadeados, portas fechadas à trinco.
Acho todas pela vida como um radar.
Mas o que pode o neon contra o brilho dos olhos dela
“É de outrem” me sussurra a razão.
E eu respondo: "Que sorte tem esse um".

Entre Ana e Alice


Metade da lua no céu, 
inteiro sorriso meu 
Será esse meu gato? 
Serei eu, Alice?
Nessa lua em águas profundas, 
escorpianas.
Desejo flor.
Desejo à flor 
de pele, 
em pele 
Em corpo? 
Em alma? 
Ana que me mande em som 
Ana, não se mande em fim.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

E o mundo é mesmo um moínho

Pelo caminho as pegadas
o seu arraste,
Joga no mundo as coleções
Você que paga para te ouvirem
que recebe para te amarem
Conta as cifras, coleciona despedidas
As pontas soltas,
E o nó em minha garganta...
Eu viro a página?
Eu virei página.
A história já foi impressa meu bem
Nem negá-la apagará
Nem pagá-la
Já foi tatuada no tempo.
Sussurro daqui pra não te acordar.
Porque desse susto há queda.
Sobra alguém pra te aparar?

Não sei "silêncio"

Não lamento o meu “demais”
O teu silêncio foi um vazio
Que coube quase qualquer coisa

Eu sei,
correr atrás faz bem mais o meu feitio
É que primeiro tenho que rimar comigo

Tanto fez, como tanto faz
Meu grito mudo arranhar teu tímpano
Eu sempre passo a limpo meus rascunhos

Vc talvez foi um pouco mais
Que o instrumento dessa lição atroz
Que eu aprendi para não esquecer
E vou provar, mas não pra vc ver
(Em algum lugar do passado, mas a gaveta me o cuspiu de volta - Karen Simões Corrêa)

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

No Silêncio

Hoje foi som e silêncio.
Nenhuma letra,
não queria palavra que cantasse seu nome.
Solidão de 7 horas no domingo.
pôr do sol de inverno, gelando tudo.
Hoje fui refém
A culpa é minha
E me calei
Fiz-te tutor do meu querer
E de mim um barco à deriva
E quanta bobagem cabe em se deixar.
O silêncio é o túmulo das ideias
É o fim da redenção
Fim da estrada
E no silêncio morre a vontade, o pedido, e a coragem.
Calar-se é mais que covardia.
É a maior das injustiças.
É a pior das crueldades.
E depois do fim?
O primeiro passo de uma nova história.
(Karen Simões Corrêa)