Hoje
não é conto, poesia ou qualquer ficção.
Hoje
é a dor mesmo.
Hoje foi-se
um nos maiores desenhistas da palavra em língua portuguesa.
Outro,
o Barros.
Construía
imagens impensáveis com o “pegar delírio” de seus verbos,
Que substantivamente
criavam mundos
Manoel
libertou a palavra
Ela
deve lhe ser grata, porque sempre apareceu vestida de festa nas linhas dele
Ele ajudou-nos
um pouco a nos libertarmos também.
Comparou
girassol com Deus, ou maior que isso, apropriou-se de ambos.
Desengessou
Remexeu
e bagunçou as prateleiras.
Será
silêncio agora que a pena pousou no papel
Mas a
“liberdade caça jeito” e sua obra estará por ai.
Nós
teremos para sempre que convier com esse sentimento deixado por todo gênio.
Essa incompletude
de inalcançar
Ele
descansou, depois de longos anos.
Nasceu em 1916...
Teve
quase 100.
Esses
gênios tornam nossa vivência mais complicada,
Elevam
a existência a outro patamar.
Quando
morrem, nos provam que são humanos, e ainda assim eternos
E nos
rasgam, em nos esfregar na cara que não são deuses.
Como
ousam?
Criam dentro da gente esses apertos,
Nós
de marinheiros da palavra, da essência.
Porém ele mesmo nos consola, tamanha
grandeza:
"A
maior riqueza do homem é a sua incompletude.
Nesse ponto sou
abastado.Palavras que me aceitam como sou - eu não aceito.
Não aguento ser apenas um sujeito que abre portas,
que puxa válvulas, que olha o relógio,
que compra pão às 6 horas da tarde,
que vai lá fora, que aponta lápis,
que vê a uva etc. etc.
Perdoai
Mas eu preciso ser Outros.
Eu penso renovar o homem usando borboletas."
E Voou
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