terça-feira, 8 de julho de 2014

Teu verso, verbo meu

Troque seus verbos comigo
Que eu levo o café
A prosa, a cama, o lado, o verso
E as tardes de domingo

Traga os seus sonhos, deixe aqui.
Que eu leio teus papéis
Desarrumo suas gavetas.
e mudo a primavera pra janeiro

Venha com vontade de ficar
que eu invento uma saudade
uma dor
te ligo só depois,
para arder a dois,
e pra você sentir.

Eu sei, me jogo nisso ao acaso
As vezes canso, largo e sigo
Mas
tentar
quer ter 
razão.

Deixe seus abraços, tome os meus
Que sumo com o vazio
Pirraço, ignoro o seu muro
Faço o teu não desistir.

Venha com vontade de ficar
que eu invento uma saudade
uma dor
te ligo e só depois,
para arder a dois,
e pra você sentir.

Eu quero atalho meu em teu caminho
Vem juntar seu verso ao meu
E se a vida insiste e te poema
Vem juntar seu verso ao meu


segunda-feira, 7 de julho de 2014

...

Emudeci o verbo
Foi preciso retroceder
Foi depois
Foi conhecer
Tua escrita
teu olhar
Não aceito qualquer rima
Não me dou em qualquer verso

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Porque calo.

Meus textos não pedem consolo
Não querem entendimento
Eles nem querem ser
Eles nem querem
A vontade é minha
Então me dê licença que passo
Ou não dê, e atravesso.
Te trespasso
Pare de pretender pelas minhas linhas
De me aconselhar pelas suas lentes
Pare de me ditar suas cartilhas
Não sou você nem quero ser
Não sou alcance para sua ciência
Nem aplicação para sua terapia
Não sou seu curso para corrigi-lo
Não sou sua.
Não estou pedindo socorro.
Nem estou pedindo.
Eu não gosto de repetição.
Se tanto, é o que falo
O que calo é o mundo.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Os dois lados do Silêncio


Silêncio,
dois pontos em um mesmo fim.
Agonia de crepúsculo.
Alívio de alvorada.
Mesma tez no horizonte
Eu silencio esse grito de sua ausência em mim
Abdico de gostar
Perdão coração,
Shiii, não se acorde
já me cansei desse raso com boias
Quero o fundo infinito
Quero o voo inteiro
Quero a entrega,
o suicídio. 

(ao som de Cícero) 

terça-feira, 1 de julho de 2014

Ela e o tempo

Passeie no meu calendário
Demore-se
Esqueça de passar
Esquece de contar, tempo
Seja assim, vc e o sol
Sem mar, sem i
Só Ana.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Sobre o sentir e os suicidas.

Ah essa nossa incompletude
nos mata aos poucos,
muito mais eficaz que o passar do tempo.
A gente só é quando gêmeo em algo.
Quando acha o sentido e o fluxo.
Para uns é a vontade de alcançar o outro.
de chegar lá…
é a mão dada
Essa nossa eterna inocência em ser resposta, só por não poder lidar com incapacidades
As tais mãos atadas doem como a cruz.
As vezes não podemos.
As vezes não tocamos,
as vezes nosso amor não tange o do outro,
não se tocam esses círculos,
 as vezes não se cruzam,
não viram esse infinito.
Li alguém falar a um suicida,
um estender a mão depois do fim,
A tentativa pretérita falida
Como se fosse possível atrasar aquele tempo.
Como se fosse dor.
Sentir é viver, não se morre na dor.
A gente morre é no vazio
As vezes tão grande que o outro não preenche.
Não alcança
Paralela
Indagou-se a agonia: “e se espalhássemos amor?”
Respondeu a verdade: “por você ou para o outro? Dê a sua compreensão, dê espaço. Saque a razão do bolso, e guarde-a junto ao peito que as respostas valem nada no depois”.
Espalho amor?
Espalho, jogo na cara do mundo para não morrer de inanição,
de palavra presa,
de amor acumulado, ou sufocado sem se dar.
Transbordo sim
transbordo para ser.
Quando se deixa ser vazio, o alívio de não ser nada, é maior que a compaixão.
Suprime lógica, invalida a razão.
Quem não tem amor pra si não se toca com amor do outro…

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Ela e o meu lugar.

Ela fala de Marianas,
Ela se fala, Marianas
E as Marianas têm tantos outros nomes
Ela gosta dos números ímpares, de dançar só, como se os pares incomodassem
Os pares? Ou se dar?
Mas ela se dá,
Ela gosta do aplauso
Ela gosta da dor, flerta até
Ela gosta do confete.
Ela gosta da solidão, porque se dar é solidão, é perder-se em um infinito labirinto.
Rilke gostaria dela, e escreveria sobre.
Ela fala das partidas querendo chegar, ou chegadas querendo partir
Das músicas nas cifras dela, que diminutas em meus tons
Mostra a foto gêmea da canção.
A flor de nome estranho e da beleza que aplaude
Abstraio o tempo
Abstraio a distância
Abstraio o espaço, como se não houvesse.
É tanto pertencimento meu nas linhas dela, que confundo o pertencer
Sou perecível, estou de passagem
Vim só para tentar
Minha natureza extrair fios do meu coração para costurar as feridas dela.
“Preocupa não, estou de passagem, só vim pra curar”
Remédio nenhum é ministrado pra sempre
Sina de caixeiro viajante é ir-se, mas deixar-se também.
Não meu bem, eu não te virarei às costas, tratamento é processo...
Calma que o eixo volta pra você,
Nem mesmo ele, fugitivo e fugaz, resistiria tanto a ceder aos seus encantos.
Calma que você vai correr mais um pouco
E cansar
Não vou te virar as costas, mas assim que isso acabar, e a vida te voltar sentidos você vai se abrir.
E o mundo que está ávido por você, vai te tomar de assalto,
Seu brilho vai crescer, e gritar.
E você vai amar sem rasgar.
Sem cortar, sem sangrar
Vai amar amar,
Vai sorrir desafios.
Feliz ao impossível.
Eu vou aplaudir...
E como agora, te carregar em mim...