quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Abrigo

Tenho escrito compulsivamente
Virou um vício,
Um remédio para dor de estômago
Para irritação na garganta
Para os nervos
Converso comigo nesses textos
Ainda não sei se me busco neles
Sei menos ainda, se nesses diálogos comigo
As respostas são ao menos, respostas.
se insisto para revê-las
Ou para me convencer, e acalmar
Pingos de paz no meu dia
Percebi que enquanto escrevo não travo os dentes
Minhas mandíbulas agradecem
Linguagem é ponte
Mas também “hiata” relações
Já briguei comigo por coisas que me disse
Pelo que me fiz crer.
E há vezes que não consigo me responder
Porém, me perdoo ao visitar essas letras e entender minhas urgências e falhas
Hoje em especial queria me confortar
Sem remoer erros, desculpas, farpas.
mesmo que ainda fique de joelhos
as vezes
Penso também que deveria me arriscar nas “dobras que apuram o silêncio”
Por hora fico com a acolhida desse papel
Que me aceita como escrevo
Posso me calar,
Mais tarde
quando me expressar deixar de ser
Esse balsamo banhado a ouro.
E a curva da noite se fizer num ponto.

Quando as letras desenharem abismos.

("dobras que apuram o silêncio" - trecho tirado do livro "Finita" de Maria Gabriela Llansol.)

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