quinta-feira, 10 de julho de 2014

Poema, nome, oblíquo, átono.

Clair de lune...
O frio da tarde chega sem nenhuma cerimônia
“Já passa das 16hs meu amor”
E me abraça...
Eu penso em quem?
Quem aquece o pensamento?
O corpo?
Quem assina o arrepio?
Debussy ao fundo só atrapalha e leva pra longe qualquer nexo.
Trai–me a memória com um nome qualquer.
A tela do telefone advinha e acompanha.
Mas a música acaba, e eu não atendo.
Como se lesse meus pensamentos o som aleatoriamente aconselha
“Dear Prudence”...
Em bom português eu atravesso a rua e desafio
“Sem nomes por hoje, sem sujeitos do meu querer”
Hoje dou liberdade aos pronomes e decreto.
Qualquer um pode ser “você”.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Tic... Tac...

Pensando bem as reticências são 3 pontos finais
Closing time, every new beginning
Comes from some other beginning's end”
É o que toca o som, ou o que berra aqui dentro?
Chato achar verdade em cantos sujos,
pedaços de papéis amassados
Gotas de café que secam, mancham o branco enquanto contam tempo.
Não há folha em branco que espere pra sempre o risco,
a letra,
a tinta
o grafite.
E a gente se gasta na espera.
Gastos freios de esperar, que um dia se rompem pra correr.
Eu já não estou mais aqui.

Fui ali viver.

(Closing Time - Semisonic) 

terça-feira, 8 de julho de 2014

Teu verso, verbo meu

Troque seus verbos comigo
Que eu levo o café
A prosa, a cama, o lado, o verso
E as tardes de domingo

Traga os seus sonhos, deixe aqui.
Que eu leio teus papéis
Desarrumo suas gavetas.
e mudo a primavera pra janeiro

Venha com vontade de ficar
que eu invento uma saudade
uma dor
te ligo só depois,
para arder a dois,
e pra você sentir.

Eu sei, me jogo nisso ao acaso
As vezes canso, largo e sigo
Mas
tentar
quer ter 
razão.

Deixe seus abraços, tome os meus
Que sumo com o vazio
Pirraço, ignoro o seu muro
Faço o teu não desistir.

Venha com vontade de ficar
que eu invento uma saudade
uma dor
te ligo e só depois,
para arder a dois,
e pra você sentir.

Eu quero atalho meu em teu caminho
Vem juntar seu verso ao meu
E se a vida insiste e te poema
Vem juntar seu verso ao meu


segunda-feira, 7 de julho de 2014

...

Emudeci o verbo
Foi preciso retroceder
Foi depois
Foi conhecer
Tua escrita
teu olhar
Não aceito qualquer rima
Não me dou em qualquer verso

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Porque calo.

Meus textos não pedem consolo
Não querem entendimento
Eles nem querem ser
Eles nem querem
A vontade é minha
Então me dê licença que passo
Ou não dê, e atravesso.
Te trespasso
Pare de pretender pelas minhas linhas
De me aconselhar pelas suas lentes
Pare de me ditar suas cartilhas
Não sou você nem quero ser
Não sou alcance para sua ciência
Nem aplicação para sua terapia
Não sou seu curso para corrigi-lo
Não sou sua.
Não estou pedindo socorro.
Nem estou pedindo.
Eu não gosto de repetição.
Se tanto, é o que falo
O que calo é o mundo.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Os dois lados do Silêncio


Silêncio,
dois pontos em um mesmo fim.
Agonia de crepúsculo.
Alívio de alvorada.
Mesma tez no horizonte
Eu silencio esse grito de sua ausência em mim
Abdico de gostar
Perdão coração,
Shiii, não se acorde
já me cansei desse raso com boias
Quero o fundo infinito
Quero o voo inteiro
Quero a entrega,
o suicídio. 

(ao som de Cícero) 

terça-feira, 1 de julho de 2014

Ela e o tempo

Passeie no meu calendário
Demore-se
Esqueça de passar
Esquece de contar, tempo
Seja assim, vc e o sol
Sem mar, sem i
Só Ana.