sexta-feira, 11 de julho de 2014

O tempo e o verbo.

As horas atropelam os papéis perdidos
Que soltos em minha mesa, ditam obrigação
Morada dos imperativos
Faça, corra, cobre, registre, ordene, meça, pare.
Respiro, e calo todos os verbos por um minuto
“O que importa é o que te faz rachar as velas
O que importa é o que te faz abrir os olhos de manhã”
Lembro nesse infinito que é inspirar, do sorriso que dei ao acordar.
Do sono bom
Do desejar.
Da preguiça de sair da cama
De ter brincado com a gata enquanto ela ronronava folga.
Gatos...
Alguma coisa me roubou o pensar por instantes, como se pertencesse ao meu agora.
Pretéritos
Presentes?
Futuros?
Ando mesmo reflexiva com o tempo.
Eu falo pra ele, mas ele só corre, sem me responder.
Lembro daquele sorriso...
Mas um vento intruso agita a responsabilidade solta na folha à minha frente.
“Volte ao trabalho menina, que o tempo agora é outro”
Penso de novo naquele sorriso,
Nasce um em meu rosto em resposta.

Esse instante aquece a tarde

(Trecho entre aspas acima é da música "Para Abrir os Olhos" da banda Vanguart)

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