sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Escambo

Troco
seu “depois” por uns acordes
Vem?!

Troco 
minha paciência por seu “fico”
Pensa?!

Troco 
suas ausências por um silêncio
A dois.

Troco 
seu travesseiro por meus braços
Deita?!

Troco 
o vazio da cama por mim mesma
Aqueça

Troco 
essa sua roupa por minha pele
Vista

Troco 
essa cegueira por seu olhar
Olhe

Troco 
minha razão por seu amor
Tente

E troco ter razão por ser amor
Quer?!

Troco amarelo por azul
Troco o azul por amarelo.

Troco 
o “para sempre” por “enquanto dure”
Versa.

Troco minhas metades por você

(Editado o formato em colaboração com Marcela Diniz)

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Ela.

Ela me pegou de frente
Me deu dois tapas seguidos na cara
“Para você acordar”, disse.
Segurou minha nuca
E me beijou.
Como se não houvesse nada mais a ser feito
Depois soltou abruptamente
Apagou a luz, me deixou no breu
Começou a brincar.
Me pegar de jeito
Me largar no chão
Me puxar e abraçar
Empurrar pra longe
Machucar, e acolher.
Socar minha barriga,
e me enfiar borboletas pelo estômago
À força.
Dançar comigo, e pisar no meu pé.
Desequilibrar.
Já estou rouca dela não me ouvir.
Não ensaio palavra ou apelo.
Me disse que se chama Vida, e que é assim mesmo.
Movimento.
Mas me avisou que adora meu sorriso.
E desde então, sempre que eu acordo, coloco ele no rosto.
E carrego no bolso uma razão ou duas para me ajudar nas quedas.
Sempre que ela o vê, me sorri de volta, e atenua a força dos golpes.
E em vez de flores, me manda algumas boas surpresas... 

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Ensaio

Tenho passeado por ai
a tropeçar nas coincidências
A cada passo é essa sensação de "déjà vu"
Um susto e suspiro
No pensamento mais um clichê
“Lá vem de novo”
E tento desviar,
outro rumo
Porém a vida insiste a cada esquina
E vem essa ideia de que tudo antes foi só ensaio
Pra eu chegar até o dia em que te conheci
Músicas, cheiros, lugares
Os medos, os quase, as vontades.
me encurralam
Hoje foi a vez das cores
Vi a minha cor preferida 
parecer ter sido feita para você.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Retina

Não posso evitar
Lamento
E nem tentaria
Não quero.
Olho seus olhos e enxergo depois do seu olhar
Além da retina
Te vejo pelo poros
Te leio as entrelinhas
No tato.
E te respondo
Eu sempre mostro
Mesmo em silêncio, mesmo em hiatos
Mas você teria que olhar de volta.
E talvez se assuste
Não por verdades desvendadas
Mas pela nudez, que destrói as defesas.
Essa sua coragem atrevida.
Que me olha de cima dos ombros.
Segue viagem num mundo como se pudesse habita-lo só.
Talvez calçando um par ou dois de compreensão
E vestida de meia dúzia de rimas.
Eu também estou nua pra vc.
Minha compensação por invadir esses seus lugares íntimos.
Como um cisco no olho.
Nua pelos textos
Que escrevo, como se você os lesse.
Encontro ecos por ai que nem sabem o que me inspira.
E sim, o riso acha casa em meus lábios,
Mesmo nesse vazio
Mas por hora ainda te vejo.
Olho.
E você dança nesse lugar em que eu não existo.
E que eu não quero mais invadir.

Quero ser convidada a entrar.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Rompante.

Ontem foi um susto.
Socou–me  o estômago, e me subiu na garganta
Por dentro
Amargo
Foram tantos os sustos desses dias
Esse sabor deixou de ser estranho
Mas não passou a bom
Golpes secos no meio do dia
Rompantes que aceleram o tempo
Quando volto a mim já perdi a tarde
Perdi o senso
Perdi o norte
Às vezes o sono, o sonho e o verso
O tempo.
Hoje já é sexta
Minha cabeça ainda pende.
Baixa, procura o passo ao lado.
A marca,
O pouso
Eu querendo...
Quando foi mesmo?

A última vez que seu sorriso me alegrou a retina?

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Paz e Silêncio

Há coisas que quando leio, te ouço dizer
Não sei se andam em mim
Fazem casa em você?

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Negligente, intransitiva.

Sou negligente com o amor
Amo música, mas meus cds não estão arrumados
Eu nem compro todos que quero,
Acho que os quero deixar livres
Nem o que tenho em meu computador está catalogado.
Ou obedece qualquer regra.
Minhas listas são exemplo de minha omissão
Cheias de vagas,
coisas que ainda quero, mas que deixo para depois
Às vezes até não querer mais.
Porém, quando ouço sou só entrega.
Ou um suspiro guardado no fundo, solto devagar.

Minhas próprias músicas estão por ai
Espalhadas em folhas de caderno
Escritas com uma letra corriqueira e mal tratada
Pela fluidez de meu pensamento que não permite zelo
Nas costas do violão.
Gravadas amadoramente,
Porém quando as toco, é com alma, pois as fiz de pedaços meus.

Meus livros estão espalhados pelo quarto, e pela vida.
Em outras casas alguns deles até encontraram outros donos
Mas meu amor é apegado, e eu ainda os chamo de meus.
Acho que o que eu tenho também me possui um pouco
Ou muito
Talvez inteiro

O que eu não sei é aprisionar o amor
Não sei catalogar,
Não sei colocar em listas.
Não sei colecionar.
Mesmo minhas ordens de prioridades não são comuns
Não aprendi a taxar o amor
Não aprendi a ter posse no amor
Não sei amar por contrato
Só por escolha
Por admiração
Não sei controlar e nem quero
Então se eu ficar quieta não é falta de amor
É só ele me pedindo o tempo de ser.
Se eu te deixar solta, não é falta de interesse
É ele me aconselhando a te deixar querer.
Se eu ficar em silêncio, não é por não querer te falar
É meu tempo de te ouvir.

Só sei amar assim,
Solta, inteira e intransitiva.