quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Negligente, intransitiva.

Sou negligente com o amor
Amo música, mas meus cds não estão arrumados
Eu nem compro todos que quero,
Acho que os quero deixar livres
Nem o que tenho em meu computador está catalogado.
Ou obedece qualquer regra.
Minhas listas são exemplo de minha omissão
Cheias de vagas,
coisas que ainda quero, mas que deixo para depois
Às vezes até não querer mais.
Porém, quando ouço sou só entrega.
Ou um suspiro guardado no fundo, solto devagar.

Minhas próprias músicas estão por ai
Espalhadas em folhas de caderno
Escritas com uma letra corriqueira e mal tratada
Pela fluidez de meu pensamento que não permite zelo
Nas costas do violão.
Gravadas amadoramente,
Porém quando as toco, é com alma, pois as fiz de pedaços meus.

Meus livros estão espalhados pelo quarto, e pela vida.
Em outras casas alguns deles até encontraram outros donos
Mas meu amor é apegado, e eu ainda os chamo de meus.
Acho que o que eu tenho também me possui um pouco
Ou muito
Talvez inteiro

O que eu não sei é aprisionar o amor
Não sei catalogar,
Não sei colocar em listas.
Não sei colecionar.
Mesmo minhas ordens de prioridades não são comuns
Não aprendi a taxar o amor
Não aprendi a ter posse no amor
Não sei amar por contrato
Só por escolha
Por admiração
Não sei controlar e nem quero
Então se eu ficar quieta não é falta de amor
É só ele me pedindo o tempo de ser.
Se eu te deixar solta, não é falta de interesse
É ele me aconselhando a te deixar querer.
Se eu ficar em silêncio, não é por não querer te falar
É meu tempo de te ouvir.

Só sei amar assim,
Solta, inteira e intransitiva.

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