Ela me pegou de frente
Me deu dois tapas seguidos na cara
“Para você acordar”, disse.
Segurou minha nuca
E me beijou.
Como se não houvesse nada mais a ser feito
Depois soltou abruptamente
Apagou a luz, me deixou no breu
Começou a brincar.
Me pegar de jeito
Me largar no chão
Me puxar e abraçar
Empurrar pra longe
Machucar, e acolher.
Socar minha barriga,
e me enfiar borboletas pelo estômago
À força.
Dançar comigo, e pisar no meu pé.
Desequilibrar.
Já estou rouca dela não me ouvir.
Não ensaio palavra ou apelo.
Me disse que se chama Vida, e que é assim mesmo.
Movimento.
Mas me avisou que adora meu sorriso.
E desde então, sempre que eu acordo, coloco ele no rosto.
E carrego no bolso uma razão ou duas para me ajudar nas quedas.
Sempre que ela o vê, me sorri de volta, e atenua a força dos golpes.
E em vez de flores, me manda algumas boas surpresas...
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