sábado, 2 de agosto de 2014

Depois da porta.

A porta ali, aberta
Seguro um pouco
Tento novamente
Inutilmente
dialogo com o tempo
Pergunto
É repetidamente muda a resposta
Mas dentro em mim algo sussurra
"Pra quê?"
Minha consciência volta
A cabeça gira a perder o rumo
E obrigatoriamente me volto pra frente
Olho novamente a porta
E vejo a falta de sentido em negar o passo
De repente não serve mesmo me prender
Não vale permanecer
A burrice absurda que mora em teimar
Deixar de viver não impede o correr do tempo
O Tic Tac maiúsculo do nosso relógio
E a gente passa
E depois da abertura
No horizonte
É vida por chegar

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Sensação

Debruça um suspiro no meu peito
E fica
Gasta
Demora a sair.
Fecho os olhos nessa gastura
E solto
A pele arrepia
O corpo comenta
Sensações com nome e sobrenome
Atestado, e posse.
Não comando essas reações
vou à deriva em mares de outras mãos
o vento a soprar e desviar sai de outra boca
Na minha cabeça apenas meu leme
A tentar rota de fuga
Calma coração
Há terra à vista,

Em algum lugar.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Carta a um amigo

Vai passar sim
Confia
O tempo, a “paúra”
A gastura, e essa agonia
O silêncio vai voltar a ser silêncio
Vai deixar de ser ausência
A falta de resposta vai deixar de ser teimosia e passar a ser conseqüência.
A causa vai apenas não ser.
Eu sei, querer costuma governar
E com garras de ditador
Prediz o fim do mundo a cada segundo a se perder na busca.
Mas querer por si só é arrogante e ingênuo,
Ele não sabe pensar
Apenas vai.
E é tão forte
Querer transforma a gente até não se reconhecer
Por querer demais a gente voa,
Mesmo sem poder voar,
Sem saber pousa,
E sem entender cair.
O querer senta à mesa da vida como um fanfarrão à mesa de poker
“All in”
Queira sempre, não me leve a mal, mas tome as fichas.
Porque ganhar não vale nada nessas fronteiras
À margem de si aquele gosto esfria.
Perde o tom
Um passo atrás,
Volte a si,
Deixe uma mão passar, leia melhor suas cartas
E a recompensa pode já não ter mais tanto sentido
E o que é perder, meu bem?
Não é exilar um pedaço de si
Temer neblina essa resposta
Perca sim, corra o risco, mas não se aposte
Você é sempre maior que o soldo.
E o meio desse caminho pode ser apenas maquiagem
Pode ser um rombo a te roubar a vista
A te furtar poesia da paisagem à frente
A te iludir
Seduzir, e te afogar
É mesmo tanto mar?
Não sei,
O que eu sei é que não vale blefar com a vida,

Porque ela sempre joga de Ás. 

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Laços.

Solte o cabelo menina,
Deixe o vento se deleitar e rodopiar pelos seus cachos
Deixa a luz brincar de labirinto nessas curvas.
Deixa o cheiro vir aqui.
Deixe meus dedos matarem a vontade de te assanhar
de te tirar do certo.
de te bagunçar
De correr e percorrer esse macio
Te carinhar, desembolar
Solte essas amarras
Solte-se e pouse aqui.
Descomplique
Destranque
Destrave
Descanse
Sem fitas no cabelo
Sem "nós" cegos nesses laços.

sábado, 12 de julho de 2014

Convite.

Tarde de inverno e esse céu estala azul e luz.
Passeio pela cidade.
À mente repetem-se vontades 
Um tempo seu que me acompanhe:
"Caminhe comigo?
Tem uma exposição de fotografia pra te levar.
Tem uma praça ali que quero aproveitar com você.
Faz piquenique comigo
Fica pra ver o pôr do sol e depois a gente toma um vinho."
É muita vida pra te deixar passar.
É muito pra não querer.
Um alerta no telefone me chama de volta do devaneio.
Não é você, ainda. 
E eu deixo aqui o convite...
Tome comigo o café da manhã.
De amanhã 

E sempre.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

O tempo e o verbo.

As horas atropelam os papéis perdidos
Que soltos em minha mesa, ditam obrigação
Morada dos imperativos
Faça, corra, cobre, registre, ordene, meça, pare.
Respiro, e calo todos os verbos por um minuto
“O que importa é o que te faz rachar as velas
O que importa é o que te faz abrir os olhos de manhã”
Lembro nesse infinito que é inspirar, do sorriso que dei ao acordar.
Do sono bom
Do desejar.
Da preguiça de sair da cama
De ter brincado com a gata enquanto ela ronronava folga.
Gatos...
Alguma coisa me roubou o pensar por instantes, como se pertencesse ao meu agora.
Pretéritos
Presentes?
Futuros?
Ando mesmo reflexiva com o tempo.
Eu falo pra ele, mas ele só corre, sem me responder.
Lembro daquele sorriso...
Mas um vento intruso agita a responsabilidade solta na folha à minha frente.
“Volte ao trabalho menina, que o tempo agora é outro”
Penso de novo naquele sorriso,
Nasce um em meu rosto em resposta.

Esse instante aquece a tarde

(Trecho entre aspas acima é da música "Para Abrir os Olhos" da banda Vanguart)

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Poema, nome, oblíquo, átono.

Clair de lune...
O frio da tarde chega sem nenhuma cerimônia
“Já passa das 16hs meu amor”
E me abraça...
Eu penso em quem?
Quem aquece o pensamento?
O corpo?
Quem assina o arrepio?
Debussy ao fundo só atrapalha e leva pra longe qualquer nexo.
Trai–me a memória com um nome qualquer.
A tela do telefone advinha e acompanha.
Mas a música acaba, e eu não atendo.
Como se lesse meus pensamentos o som aleatoriamente aconselha
“Dear Prudence”...
Em bom português eu atravesso a rua e desafio
“Sem nomes por hoje, sem sujeitos do meu querer”
Hoje dou liberdade aos pronomes e decreto.
Qualquer um pode ser “você”.