quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Prioridades

Ando por ai mudando as coisas
Os chocolates que guardava
para comer depois
Passei a entregar de véspera
Para o deleite de outros
Deixei o que me anseia me esperar mais um pouco
Fiz minha fala aguardar mais uma pausa
Passei a presentear sem datas
E sem ligar para o gosto alheio
Meus presentes são cartões de visita
Me apresento neles
E dou de mim
Passei a cuidar mais da sede que da fome
Líquidos correm mais,
passam antes.
Mato a fome com mais fome
Tenho me doado quando mais preciso
E à estranhos
Colecionado primeiras vezes
Já você.
Bem...
Você eu guardei

Para amar mais tarde. 

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Quem mandou?

Ontem eu falei de você
Mas mudei seu nome,
Acho que até seu sexo
Mas não consegui mudar seus cabelos
É que eu os adoro
Tanto...
Seria uma violência contra mim mudá-los
Também não mexi na sua boca...
E nem no seu olhar
Não fui capaz.
Não que eu não goste do seu nome.
Na verdade eu adoro,
e quando o escuto, as vezes,
me erro
Não é que eu não goste do seu sexo,
Na verdade só de pensar,
estaco
E aquele tempo
pensando
me para a vida
E deixo de existir naquele momento
Ou paro para existir maior, de sentir tão forte.
Na verdade eu não queria era ter falado de você
Mas quem mandou você vir assim,
sorrateiramente na minha memória?!
Mesmo com outro nome.
Seu sobrenome ainda é pra mim o mesmo:

Querer. 

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Uma dose de barroco, com limão e pouco gelo.

Não sei se ainda é o medo das letras
Ou se é porque passei mal à noite
Mas dou graças que o Concerto de Brandemburgo do Bach dura mais de duas horas.
Minha cabeça está muito cansada para escolhas.
Meu estômago está sensível demais para as cordas de Vivaldi
E meu olhar, está turvo demais para os noturnos de Chopin.
Espero que a música cure mais rápido que sal de fruta e Gatorade.
Acho que até meu coração anda enjoado.
O barroco me cai bem.

Com limão, e duas pedras de gelo, por favor.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Hoje é segunda

Hoje acordei com medo das músicas, mas quando acordamos a última coisa que temos é qualquer certeza. Fui percebendo sentido em meio a toda a minha irritação. Sim irritação, afinal o que mais esperar de um dia sem música?  É o mesmo que um dia sem café, irritável ao último grau. Meu medo não era das notas, não era das melodias, nem arranjos. Não era medo do chiado da palheta de algum sax num solo de jazz, não temi Coltrane. Não temi o arranhado provocado em mim pela guitarra num solo de blues, nem as gaitas. Bach não me machucou em nenhum cello, e nem em nenhuma orquestra, nem Chopin me atingiu no percorrer das teclas de um piano. Não temi nenhuma das quatro estações de Vivaldi e nenhum solo de violino. Mesmo que chovesse, ou ventasse. Nem mais ríspido, nem mais puro. Não temi Miles Davis, nem Chet Baker ou qualquer outro trompete.
Fui entender assim, que meu medo vinha da lógica, e do sentir provocado por todos os versos que cantados entravam pelos meus ouvidos, e vinham percorrer caminho dentro de mim para me atingir no peito, no estômago, na garganta, na cabeça.
Entravam só para sair navegando nas lágrimas vertidas involuntariamente, e teimosamente.
Lembrei que ultimamente tenho usado muito palavras da família da teimosia, e também outras como medo, rasgar, arranhar, engolir. Tenho gastado essas coisas, e reparei que tenho brigado tanto, e dentro.
Deve ser por isso esse cansaço. Deve ser por isso que as palavras têm me bagunçado tanto. Bagunça também tem sido palavra frequente. Deve-se a isso também meu parco poder de barrar o sentir e a lógica das rimas das músicas, dentro de mim. Como são eficientes as melodias quando garotas de entrega dos versos.
Jogam frequentemente minhas barreiras por terra. Imperam principalmente num dia de Saturno em escorpião em conjunção com Marte; a lua, o sol e Mercúrio em Virgem;  Júpiter e Vênus em leão. Aliás, sensibilidade é nome em dias como esses e os astros pra mim sempre tiveram muito mais sentido. Minha irritação, à dificuldade factual, tácita, realidade feroz. A dificuldade de realidade de entender minhas desobediências, minhas insistências em desenquadro.
Os astros não cantam. E nem precisam. 
As músicas existem até quando não tocam. As tais frases atingem mesmo quando não escutadas, mesmo que só na cabeça, só de memória.
Nessas horas queria que o pensamento desafinasse essas ideias, ou quebrasse a corda antes que o acorde as entregasse.

Meu nome é Karen, hoje é segunda-feira, e eu acordei com medo das músicas.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Para Ana Abreu e Natália Chaves.

Acordei nessa manhã cinza com uma vontade enorme
De ser.
Dessas com sobrenome
Feliz
Mesmo em meio ao cinza de dentro,
ao chumbo da vida
Ontem aprendi lições sobre o “sempre”
E me acalmei
Aprendi lições sobre espaço
E aquietei ansiedades
Colhi carinho, em porta aberta, oferecido assim inteiro.
Em torto jeito, mas certo modo.
A gente não existe nessas medidas.
Só quando testadas.
Gratidão.
Ver um caminho atrás de si traçado que te leva nesses braços
E quando falta perna
Vem o puro amor te carregar.
Mesmo que eu duvide,
Desconfie
Ou tarde
Mesmo que eu "não"

Ele "Sim"

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Quando toca Roberto...

Daqui dos meus fones de ouvido Roberto
Penso:
“Falando Sério” será que você salvou vários cantores?
Ou foi salvo?
Então, por piedade Roberto, veja.
Porque esses dias o certo é que tens pisado em mim
De “Cavalgada”, às “Canções que você fez pra mim”.
Ou não fez
Na voz de qualquer um
Na voz de todo mundo.
Quando estou ouvindo, ou só pensando.
Como se houvesse em mim uma agulha de radiola
Essas músicas têm me remexido dentro
Espiral infinito
Como não faziam antes
E pedem coro
Não, eu é que peço.
Coro e resposta
“Detalhes”, “Do fundo do meu coração”.
Ou no raso.
Me pego cantando “Eu te amo, te amo, te amo” pra ninguém.
Acordo do devaneio e olho para o lado assustada.
Um olhar cumplice, ou indulgente sorri.
Talvez de algum lugar nas décadas de 60,70 ou 80.
“Esqueça”,
mas não dá.
As “Jovens tardes de domingo” soam em qualquer dia, ou hora.
Não “Nasci para chorar”, mesmo que às vezes as lágrimas me caiam bem
“Fera ferida”, “Leãozinho”
Da licença Caetano, minha conversa é com o Rei
“Debaixo dos caracóis dos seus cabeços” e dos meus
“Vivendo por viver” em qualquer acorde.
E um pensamento me vem à cabeça.

Será Roberto que você fez alguma música com o nome dela?

sábado, 16 de agosto de 2014

Se a sua boca beijasse com meu nome.

Eu quero te beijar
Ao som de “Sua estupidez”
A versão da Gal no acústico, sabe?
Aquele arranjo de cordas a passear em mim.
A me tocar com pontas de dedos
A distrair meu beijo.
Minhas mãos em seus cabelos,
A passear na nuca.
Meu corpo inteiro a alisar o seu
A voz da Gal a ativar sentidos
Desejos.
Mas qual é mesmo o seu nome?
É que te vi naquela mesa...
E nem tenho certeza de "porque" você.
Tem que começar com essa música
E você vai entender.
Assim que me reconhecer
Porque se passar dessa noite você vai precisar saber.
Vais ver, é minha trilha mais perfeita.
Já foram meus os apelos naquelas melodias.
Mas não hoje,
Hoje, entenda, é minha a estupidez.
Idiota sou eu,
Em algum momento eu desaprendi a amar.
A viver o amor
A ver
Tomo decisões sem pensar, conto até 20 e ainda não sei
Penso outra vez, da vez, de outra vez...
Não é que eu não ame, ou tenha deixado de ser mira do amor.
Na verdade, eu não sei.
Ele me vinha cheio,
certeiro,
inteiro,
tanto que não sobrava em mim lugar.
Amor, “Só louco”
Caymmi
Me cai bem
O amor de me exilar
Mas não essa noite.
Só em lá,
Lar em sol.
Notas diminutas
Vou tentar outras músicas,
Vou escrevê-las pra você.
Mas essa você já tem que saber.
Me diz seu nome?
Eu não quero te assuntar,
O amor não chegou em mim
Ele por hora está extraviado
Desaprendeu onde moro.
Cansou de ser mal tratado pela minha teimosia
Só funciona fatal meu radar a achar na multidão
O que será meu dono, sem querer me ler
Nem “Acabou chorare”,
Nem começo.
Nem às 4 da manhã.
“Quem gostou de mim” Tatit?
Chame-a pra cá.
Quero resenha
Que agora estou assim, sem saber de mim.
De mi menor, em dor maior

Em si