segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Retina

Não posso evitar
Lamento
E nem tentaria
Não quero.
Olho seus olhos e enxergo depois do seu olhar
Além da retina
Te vejo pelo poros
Te leio as entrelinhas
No tato.
E te respondo
Eu sempre mostro
Mesmo em silêncio, mesmo em hiatos
Mas você teria que olhar de volta.
E talvez se assuste
Não por verdades desvendadas
Mas pela nudez, que destrói as defesas.
Essa sua coragem atrevida.
Que me olha de cima dos ombros.
Segue viagem num mundo como se pudesse habita-lo só.
Talvez calçando um par ou dois de compreensão
E vestida de meia dúzia de rimas.
Eu também estou nua pra vc.
Minha compensação por invadir esses seus lugares íntimos.
Como um cisco no olho.
Nua pelos textos
Que escrevo, como se você os lesse.
Encontro ecos por ai que nem sabem o que me inspira.
E sim, o riso acha casa em meus lábios,
Mesmo nesse vazio
Mas por hora ainda te vejo.
Olho.
E você dança nesse lugar em que eu não existo.
E que eu não quero mais invadir.

Quero ser convidada a entrar.

2 comentários:

  1. Nuuuuuuuuu
    Li e senti o que tenho vivido nas últimas semanas...

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  2. Ei Lary.
    Pois é, eu sempre tento, me reviro, mas tem horas que vc tem que deixar fluir para ver.

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