segunda-feira, 11 de agosto de 2014

O dia em que meu cansaço me pediu arrego.

Mania cruel essa de correr atrás das respostas
De não tolerar dúvidas
De perseguir razão
Preencher lacunas
De se curvar e encolher diante do erro
Escancarado no espelho.
Abrir as portas na marra
E se trancar atrás da falsa segurança em “saber”
Se entrincheirar por trás de argumentos
E de lá bradar razão
Braço que não torce
Isso é estacar no tempo, como uma mula empacada.
Ao contrário de crescer, essas urgências nos diminuem
Condicionam o viver ao controle
a ilhas isoladas de “sentido”
Obliteram a dúvida, à resposta.
Fazem a busca deixar de ser caminho, e passar a ser escrava de um fim
Reduzem a transa ao gozo
Não há tolice maior que desperdiçar todo o meio
Quando no meio também se vive.
Descartar imperfeição, como um “não ser”.
Esquecer que todo oposto é também parte, é só um outro lado.
Como se o fluxo estancasse logo ali, depois da resposta.
Como se bastasse.
Criança a responder ansiosa ao professor, considerando cumprido o aprendizado do dia.
Acalma essa pressa
Aquieta essa hora
A graça maior às vezes, é a surpresa.
É não guardar em si o mar de respostas
É ter dentro vazios de acolher
Espaço
É o rodopiar de folha solta ao vento
Saber tudo é nada além de ilusão
Tudo? Como se chega nesse fundo?
Como se anda nessa aridez?
Quem é que pode com tanta pretensão?
Quem é que vive dessa loucura?
Sufoca
Abandone essas vestes, que essa pele tem te consumido a alma
Deixe-a descoberta.
Deixe-se
Solte-se ao ar e a dúvida
Grite à plenos pulmões:
“Eu não sei”
Seja humano
Verta lágrimas, seja incompleto,
inseguro,
Rasgue-se
Até pedir
Escancare
Ninguém pode com o inalcançável.
A completude não é nada além de pura solidão

Abaixe a guarda 
Deixe a alma tangenciando outras.

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