quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Rascunho

Tela em branco
E o cursor de texto piscando essa ansiedade
“Ei, vamos lá, uma ideia, uma palavra...”.
Que saudade da folha em branco, que me pedia bem menos .
Escrevia, e rasgava.
Não sei como rasgar essa memória de computador.
Essa minha lua em gêmeos, na casa 12
Só me atira ao ar
Como é viver na realidade?
Será que eu consigo?
Será que algum dia eu aprendo?
Será que essa vida me serviria?
Há tanto tempo que perdi minha gravidade
Aquele amor que me respondia, e me ligava ao chão
Hoje só plano...
Solta, longe da terra.
Viver tem sido tão inútil
Tão errado
Todo mundo pretende por mim, um caminho que tenho que fazer
Uma escolha, uma renúncia, o que me serve e o que não presta.
“Você não pode ser assim”
“Assim” é como?
São tantos nãos...
E eu não perguntei nada.
Sofismos...
Agora o não é meu.
Não, ninguém tem ideia.
Não é nada do que acham
Eu não me vejo em nada do que pensam.
Deu pra entender?
Porque eu não me desenho.
Essas tantas outras certezas me sufocam.
Esse porto paralelo
Porque eu sou só dúvidas
Gasto 12 dias, para viver um só.
É esse meu tempo.
Meu marte em câncer.
Enquanto se apressam para me forçar a lição goela abaixo, mais eu corro para mim.
E me afasto.
Meu eu atrás do rabo.
E nessas horas não se valem de intenções.
Sua vida é uma miragem

E a minha, sua ilusão

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