Hoje acordei pensando em flores
Estranho porque flores nunca me ocorrem
Pensei em nomes também
Lembrei de todos os amores que tive que compartilhavam
predileção pelas mesmas espécies
E agradeci
Porque embora essa característica me ativasse memória e
sentir
Pescando do passado nomes sepultados em covas rasas
Tentando em português ruim que o futuro do pretérito tenha
lugar no presente
A repetição fez a flor deixar de ser exceção, passar a regra
e assim deixou de ser especial
Não me leve a mal, também adoro lírios e orquídeas
Mas tenho que admitir ter ficado feliz que depois de tantos
tronos
Elas agora ornassem vasos em lugar comum
E a Rosa, sim em letra maiúscula, singular por reinado
perene
Que ardia em várias cores
Nem mesmo em botão me ativa mais.
Acho que o mesmo me aconteceu com os nomes.
Gastaram, e tenho que colocar agora sobrenomes nas agendas.
Às vezes tenho até que pensar quando brilham na tela do
celular.
Engraçado que amar não pensa.
Acho que vou anotar regra:
“Nunca namorar quem tenha predileção por margaridas, minhas
flores preferidas. Não as quero sacrificar”
E logo abaixo:
“Nunca beije um nome singular”
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